Busca
http://www.milonic.com/styleproperties.php
 
Entrevista
Issao Minami

Comunicar de forma sustentável

O arquiteto e urbanista, Issao Minami é doutor e professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e um dos mentores técnicos do processo que desencadeou na implantação da Lei da Cidade Limpa, em São Paulo. 
Minami também foi um dos criadores da comunicação urbana do Complexo de Preservação Ambiental da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que é totalmente sustentável, e um dos responsáveis por transformar a Vila de Paranapiacaba – atual distrito municipal de Santo André – em patrimônio histórico nacional. 
Nesta entrevista, ele explica como a poluição visual afeta a vida das pessoas nas cidades e apresenta alternativas sustentáveis para combater esse grande mal que atinge os grandes centros do País.

Ambiente Urbano: O que é poluição visual? 
Issao Minami: Poluição visual é tudo aquilo que está em excesso no espaço urbano e que causa essa sensação de desorganização que vemos todos os dias no espaço das cidades. Essa sensação é provocada não apenas pelo excesso de comunicação visual, mas também por aspectos da própria infra-estrutura urbana, como a falta de árvores, o excesso de construções, a exposição dos fios da rede elétrica, nas más condições das calçadas, entre outros elementos. A partir do momento em que estes elementos conflitam entre si e que temos essa impressão de desorganização, o problema da poluição visual vem à tona. Neste sentido, vivemos num paradoxo no qual o homem entra em conflito com uma situação provocada pela desordem da própria forma de ocupação humana das cidades. Isso significa que o grande problema das cidades hoje não está na falta de planejamento, mas sim na falta de uma mudança comportamental das pessoas em relação ao ambiente  em que vivem. 

AU: Como assim?
Minami: Um exemplo disso é a própria Lei da Cidade Limpa. Quando ela foi implantada, boa parte das pessoas foi contra o projeto, mas isso porque as pessoas já estavam induzidas ao consumo visual em excesso. No entanto, depois que promovemos a mudança, perceberam que aquilo era bom e que a cidade ganhou uma nova configuração espacial, mais limpa visualmente, um pouco mais organizada, embora ainda haja muito a ser feito neste sentido. 

AU: Sempre se comenta como a poluição do ar, da água e do solo fazem mal à saúde. A poluição visual também pode afetar a saúde das pessoas? 
Minami: Sem sombra de dúvidas. Nós temos hoje um problema com os efeitos psicossomáticos gerados pelo uso excessivo das vistas. Basta comparar a quantidade placas de trânsito, outdoors, imagens publicitárias etc., que uma pessoa é obrigada a ver todos os dias na Grande São Paulo, com a quantidade que uma pessoa que mora no interior do País vê desses símbolos diariamente. Isso intensifica o que chamamos de estresse visual, além de provocar diversos problemas psicológicos que, consequentemente, são tão nocivos à saúde das pessoas quanto outros tipos de doenças. 

AU: E o que pode ser feito para diminuir os problemas com a poluição visual? 
Minami: É uma questão de mudança de comportamento. Se todo mundo se sentir no direito de levar o seu comércio, a sua publicidade, a sua marca, enfim, os seus interesses para o espaço público sem obedecer a nenhum critério, o resultado será a desorganização e a sensação de caos que já temos no espaço público. Um exemplo disso são esses cartazes de animais perdidos, pregados com lambe-lambe nos postes, ou mesmo as propagandas de prestadores de serviços informais, como as leituras de tarô e outras coisas. É um uso do espaço público para benefício próprio sem pensar que aquele é um lugar de uso coletivo. E aquele cartaz fica ali, ninguém volta para recolher, como se aquilo não fosse mais responsabilidade de quem pregou. Nós precisamos resgatar o conceito de espaço agradável no ambiente das cidades e para isso, é preciso retirar tudo aquilo que é “gordura”, que está em excesso no espaço público. Todos estão sofrendo com as conseqüências desse crescimento desordenado das cidades, o que quer dizer que somos responsáveis pelo que está acontecendo e, por isso, assumir essa responsabilidade deve ser uma palavra de ordem para todos. 

AU: Que soluções os profissionais como o senhor podem oferecer para combater esses problemas? 
Minami: Não só na questão da comunicação visual como em todos os processos de ocupação do espaço público, o arquiteto deve pensar que aquilo que ele produz irá ficar permanentemente naquele local. Neste sentido, evitar o uso de materiais poluentes, fazer o reaproveitamento de materiais e resíduos na própria obra, bem como dar preferência aos produtos biodegradáveis, é de extrema importância.  Não se pode conceber a criação de um espaço hoje sem se pensar nessas questões. Em Itaipu, por exemplo, onde eu ajudei a criar toda a comunicação visual interna do Complexo de Preservação Ambiental da barragem, uma das questões que privilegiamos foi justamente a reutilização dos canos de ferro fundido, que sobraram da obra e que não tinham um destino definido, para criar os suportes de placas de rua, portais e outros objetos do espaço público local. O resultado disso foi que os moradores locais perceberam os benefícios desse pensamento e praticam a sustentabilidade em suas vidas até hoje. Essa é a mudança de comportamento que devemos pregar.

 

 

 

 

 



Publicado em: 19/2/2010

Últimas Entrevistas
  • Jacques Marcovitch fala sobre Ainda há tempo!
  • Suetoshi Takashima fala sobre Legado com qualidade
  • Antônio Carlos Matarazzo fala sobre Mudança de hábitos já!
  • Issao Minami fala sobre Comunicar de forma sustentável
  • Roberto Shinyashiki fala sobre A Coragem de Confiar
  • Hugo Penteado fala sobre Economia e ecologia se misturam sim!
  • Falamansa fala sobre Música com consciência
  • Fernando Almeida fala sobre É preciso subversão na área da sustentabilidade
  • Viviane Senna fala sobre O Instituto é a concretização de um sonho do Ayrton
  • Moacir Gadotti fala sobre A escola na formação integral do ser humano

  • << VOLTAR

    Vídeo Institucional
    Patrocinio Apoiadores
    Assista ao nosso vídeo Institucional





    Rua João Ribeiro, 348, Bairro Campestre - Santo André - SP
    CEP: 09070-250 Pabx: (11) - 4991-1112

    © Copyright 2004-2010 - Instituto Triângulo - www.triangulo.org.br